25.4.14

Kepler 186f

Quando eu crescer quero ser astronauta
quem não quer? 
mas quando for grande a sério 
quem sabe quando for velho 
e sábio
ah, mãe, quero ser astrónomo
pela janela vigiar os planetas
adivinhar onde vão, a que horas voltam
e de repente enamorar-me de um
- consegue ver? ali, aquele
ténue, breve brilhinho distante
ou nem mesmo isso - aquele vestígio
ou ainda menos - o fantasma
do rasto de um grão de areia a fazer sombra a uma estrela
longe
longe
muito longe

então virar para ele demoradamente
a ponta amante do meu telescópio
e acreditar que foi para mim que piscou
numa tarde como esta, há quatrocentos e noventa anos
e desde então, sem pressa, como quem
conhece o que está escrito nas estrelas
foi-me enviando, imperturbável, os seus fótons
os seus neutrinos

e esperando por mim

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