7.7.06

Lente


Penso naquele país
ao mesmo tempo meu e estrangeiro
nesse lugar chamado rio de janeiro
onde fui tão feliz, tão infeliz
que hoje é memória cada vez mais fina
palmeira, asfalto quente, solidão
alguém de noite mijando numa esquina
a tarde a agonizar no calçadão
e uma parte da vida que ficou
parada nesse nome de cidade
o que seria um dia mas não sou
nem alegria então, nem já saudade

se ao menos conhecesse o nome
dessa coisa que sinto quando penso
na cidade que pouco a pouco some
enquanto, lá tão longe, o rio imenso
transborda de si mesmo, e de mim
nem um vestígio guarda, grão de areia
que o mar encharca e o sol enxuga sem fim
na praia larga e violenta e alheia
se ao menos um nome tivesse
essa coisa que trouxe na bagagem
nem alegria nem saudade, esse
outro país que desfoca a paisagem

2 comentários:

  1. Anónimo6:42 p.m.

    Vim bater à porta do seu blog sei lá como, eu aqui em Vila Velha/ES, você em Lisboa. E agora fico sabendo que é brasileiro. O Rio (morei lá) deixa-nos assim, em estado de vazio e adoração, emoção que não se explica, pedaço de mim partido por lá. E vou levando os cacos cariocas pra onde vou.
    Prazer em conhecer (vc está no link do meu blog). Abs.

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  2. Anónimo2:03 p.m.

    Mto bom! Vc deveria publicar! Esse poema para os barsileiros auto exilados pelo mundo eh perfeito! Alias, todos seus poemas sao lindos! Parabens!

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