2.10.05

O Porto



Estava só na ribeira
(toda cidade é estrangeira)
à procura do campo alegre
passava um guarda, como é que vai,
senhor guarda, como é que vou?
o guarda alarmado hesitou
não queria ferir meus sentimentos
mas o campo alegre?
o guarda coçava a cabeça
é muito difícil
porque não vai para outro lado?
ah, estes brasileiros
sempre a querer o que não é suposto

fiquei sozinho na ribeira
(toda cidade é estrangeira)
com aquele alto limite

foi então que me perdi no porto

entre a batalha e o bolhão
entre o bolhão e as antas
e novamente a batalha
e novamente o bolhão
e novamente a batalha
(toda cidade é estrangeira
mas algumas
prestam-se mais a mal entendidos)

Foi então que nunca mais cheguei
nunca cheguei à boa vista
nunca cheguei ao bom sucesso
ao campo alegre ao bom fim
fiquei rodando rodando rodando
rodando à volta do porto
foi então que nunca mais atraquei

estava sozinho na ribeira
(toda cidade é estrangeira)

2 comentários:

  1. Jayme:
    bela declaração de desamor ao meu Porto.
    (o meu mail: americo.carvalho@cineponto.pt)
    Um abraço.

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  2. A cidade quis mantê-lo no coração...ou nas tripas. De qualquer modo, apesar de perdido, essa belíssima cidade suscitou-lhe um belo post.

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