1.7.06

Num postal de Babilônia


Onde está a minha cidade
deixei a que tinha
esta que adoptei
não é minha

falam quase a minha língua
mas com tão estranha sintaxe
que eu, quando abro a boca, é como
se mancasse

minha língua claudicante
vai tropeçando nos pronomes
e na falta de bigodes
no que se bebe, no que se come

quando, turista, visito
a cidade que deixei
lá não sou menos estrangeiro
ou então, se sou, já não sei

fiquei no meio do caminho
no meio do mar, no meio
do corredor do avião
entre lisboa e o rio

com outros no mesmo barco
faço churrascos, sambas, festas
para esquecer o que perdemos
fazer a conta do que resta

5 comentários:

  1. Adorei os poemas. Te achei na Carla Rodrigues, tb sou de Niterói e fui aluna de um Kopke chamado Mauricio.
    Vou voltar com certeza.
    Bia.

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  2. Adorei o poema. Tb sou de Niteói e vou voltar sempre.
    Bia.

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  3. O Kopke chamado Mauricio é meu pai. Volte sempre.

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  4. Que feliz coincidencia!
    Voltei e vou continuar a vir.

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  5. Gostei dos seus poemas e de poder ler mais da sua escrita.
    Não pude deixar de lembrar do livro "Transatlântico", de Paulo Nogueira, cuja personagem principal achei deliciosa.

    Um abraço e tudo de bom.

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